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Na Semana Mundial da Alfabetização, educadores apontam os desafios do ensino remoto

Professores, pais e mães estão trabalhando de forma conjunta pela alfabetização e pela educação infantil

Por Lucila Bezerra em 11/09/2020 às 10:11:59

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O ano de 2020 está sendo incomum para a educação como um todo, e principalmente para quem está aprendendo a ler e a escrever. Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 8 de setembro, é celebrado o dia Mundial da Alfabetização, o que faz desta a Semana Mundial da Alfabetização. O processo de alfabetização é quando crianças, jovens e adultos desenvolvem a habilidade de ler e escrever, entrando no mundo das palavras escritas e abrem as portas para o estudo de disciplinas como português, matemática, história, física, geografia, química e biologia.

"A gente consegue presencialmente fazer um trabalho com um resultado bem positivo, mas, no momento da pandemia e com o ensino remoto, como é uma novidade tanto para os professores quanto para as crianças e na rede pública o acesso dos estudantes é mais complicado, é mais difícil, é menos possível", explica Alzeny Vasconcelos, professora de educação infantil da Rede Pública do Município do Recife. Ela aponta que "está tendo uma grande dificuldade para constatar ou comprovar os resultados de uma alfabetização".

Pais e mães também sentem dificuldade no acompanhamento das crianças em casa, uma vez que a didática dos professores é diferente da forma que os pais ensinam, o que pode gerar resistência. "A alfabetização não é só o conhecimento em si, mas é ela se apropriar diante daquilo, para ela é libertador. É descoberta, é conhecimento, é se apropriar daquilo que ela está aprendendo", afirmou a psicóloga Íris Malta, mãe de Sofia, nove anos, que teve algumas dificuldades quando teve que acompanhar a sua filha nas atividades escolares. "É interessante porque a criança não sente tanta confiança nos pais como com o próprio professor, fica muito certo na cabeça dela o processo que o professor cria para o aprendizado e não o nosso processo, como se o nosso estivesse errado".

Para a professora, a participação dos pais é essencial para o desenvolvimento das crianças, uma vez que esse estímulo auxilia inclusive no trabalho na escola. "Independente desse momento de pandemia, eu entendo e acredito que a participação da família, dos pais, das pessoas que cuidam é indispensável para o êxito dessa aprendizagem. Aescola não consegue fazer magia, a professora não consegue fazer um trabalho se não tiver esse apoio", afirmou Alzeny.

Em Pernambuco, ainda não existe previsão para a retomada das atividades presenciais do ensino básico, o que inclui as crianças em idade de alfabetização. Segundo decreto do Governo do Estado, essas atividades estão suspensas até o dia 15 de setembro, quando o decreto pode ser prorrogado ou ser dada um previsão para o retorno. O governo mantém as aulas presenciais do ensino básico suspensas desde o dia 16 de março de 2020, mas autorizou a retomada gradual das atividades presenciais do ensino superior desde o último dia 8.

"Criança é muito expansiva e calorosa quando encontra os amiguinhos, não tem como você bloquear uma criança de fazer isso. Criança vai perder máscara, isso a gente vê até com material escolar, imagina com máscara", afirmou Íris que não permitiria o retorno da filha às atividades presenciais ainda este ano. "Se houver essa possibilidade de retornar às aulas ainda este ano, eu não permito. A gente precisa sentir segurança. A gente sabe que esse vírus existe, mas a gente não sabe como o vírus vai reagir a cada pessoa. Eu posso ficar bem, mas Sofia pode ser internada, a gente não tem como presumir", concluiu.

Alzeny acredita que para a educação infantil a escola é, principalmente, um lugar para a sociabilização e que o afeto é uma peça chave para o ensino. "A gente está tentando, através das aulas online, conversar e sugerir, como se estivéssemos nas aulas presenciais", disse a professora, que completa "a afetividade também é um instrumento de alfabetização, de desenvolvimento escolar. Então, há relação afetiva entre os coleguinhas, entre os professores e as crianças, e ela se desenha com o contato físico".

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Monyse Ravena

Fonte: Brasil de Fato

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